Descubra a técnica que usa espécies selecionadas para transformar a sujeira em fonte de alimento para um jardim florido gigante
Uma solução revolucionária na arquitetura e engenharia ambiental floresceu como destaque no Brasil. A cidade de Recife, Pernambuco, é a casa do primeiro parque público com um jardim florido que filtra e trata a água do esgoto, conhecido como ‘jardim filtrante’.
O projeto usa uma tecnologia sustentável e de baixíssimo custo de manutenção, conhecida como fitorremediação e se tornou uma referência mundial em tratamento de efluentes.
O que é o jardim filtrante e como ele funciona?
A tecnologia, implementada no Parque do Caiara, na Iputinga (RE), é pioneira no Nordeste e tem inspiração em soluções usadas no Rio Sena, em Paris, na França.
Trata-se de um sistema natural, sem aplicação de agentes químicos artificiais ou microrganismos externos. A técnica, desenvolvida pelo arquiteto paisagista Thierry Jacquet (Phytorestore), é chamada de fitorremediação.
O sistema simula o funcionamento de zonas úmidas, onde espécies vegetais são cuidadosamente selecionadas e plantadas na superfície (pedras e areia) que preenchem tanques escavados no solo.
As raízes se associam a microrganismos que, unidos, removem poluentes da água, transformando compostos como nitrogênio e fósforo em elementos absorvíveis pelas plantas. É uma verdadeira “faxina ecológica” que resulta em um belíssimo jardim florido.
De esgoto a jardim florido: o impacto na vida local
O projeto do Parque do Caiara é um case de sucesso por aliar tratamento de água e requalificação urbana. A tecnologia trata parte da vazão do Riacho do Cavouco, um afluente do Rio Capibaribe, devolvendo a água em melhores condições.
Tubulação verde cercada por plantas de folhas largas em um jardim florido com pedras decorativas no chão.
O projeto requer manutenção periódica de baixo custo, ideal para projetos sustentáveis em grande escala
A transformação do ambiente é notável. O local também se tornou um centro de educação ambiental, promovendo a conscientização da população sobre a saúde dos rios e seu papel no ecossistema local.
Tecnologia replicável e de baixo custo
Com capacidade de filtrar até 350 mil litros de água por dia em uma área de 7 m² de jardim, o projeto é uma prova da eficácia das soluções baseadas na natureza. O investimento total da Prefeitura do Recife foi de aproximadamente R$ 8 milhões.
Uma das maiores vantagens da técnica é a manutenção periódica e de baixo custo. Por ser uma solução natural, não são usados aditivos e substâncias químicas. Com isso, as raízes absorvem substâncias tóxicas aos peixes, mas que são fontes de alimento para as plantas.
Fonte: ND+

